quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

FORMAÇÃO SOBRE LITURGIA/ATITUDES/COTIDIANA



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FORMAÇÃO SOBRE LITURGIA /DE ATITUDES / COTIDIANA.




ESPIRITUALIDADE CARMELITANA
ESPIRITUALIDADE DO CARMELO DESCALÇO.
Carmelo significa graça e fertilidade. A Bíblia o descreve como uma torrente – a fonte de Elias – e uma vinha fertilíssima... A beleza da sua paisagem serviu a Salomão de inspiração para expressar a beleza da esposa do Cântico dos Cânticos: “Tua cabeça sobre ti é tão linda como o Carmelo e teus cabelos como a púrpura” (Cânt. 7.5). 
A reforma introduzida por Teresa e João da Cruz quer ser uma superior e quanto delicada fusão entre o ideal contemplativo, próprio dos primeiros eremitas do Monte Carmelo, e o ideal apostólico que animou profundamente os dois Santos Reformadores. Esta admirável síntese espiritual pode ser esquematizada nos seguintes binômios:
Intensa busca de Deus, que busca o homem, e grande atenção ao homem, sedento de Deus.
Comunhão com Deus, no seguimento do Cristo, e comunhão com a Igreja, do Cristo seguidora.
Repouso do ânimo na prática da oração e esforço ascético de purificação.
Quietude em Deus e inquietude pela salvação do mundo.
Gosto pelas coisas espirituais e sentido do concreto.
Solidão, silêncio, retiro e zelo pelas almas, doutrina universal, impulso missionário.
 A espiritualidade do Carmelo se embasa sobre a doutrina de Teresa de Jesus e de João da Cruz, proclamados Doutores da Igreja, e é unanimemente reconhecida como o suporte fundamental da teologia ascética e mística. Esta doutrina, que toma o nome de Escola Teresiana, foi sucessivamente enriquecida pela experiência e pelos escritos de outras figuras carmelitanas, como Teresa do Menino Jesus (desde 1997 Doutora da Igreja), Elisabete da Trindade e Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein). Característico da espiritualidade carmelitana é o acentuado cristocentrismo. No coração da vida espiritual resplende a figura de Cristo, que a alma busca por meio das virtudes teologais (fé, esperança e amor) e ascéticas (humildade, caridade e desapego), tomando o caminho da oração amorosa.
Desta espiritualidade profundamente mística e corajosamente ascética floresce, desde o século XVII, o ideal missionário. Basta pensar que a primeira Congregação de Propaganda Fidei (1600) foi em grande parte obra dos Carmelitas Descalços, e teve a notável influência do grande missionário espanhol Fr. Tomás de Jesus. Os primeiros missionários italianos estiveram na Pérsia (atual Irã e Iraque - 1604) e em seguida fundaram em Malta, nas Índias, em Moçambique e Madagascar, na China e no Extremo Oriente.
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ESPIRITUALIDADE BENEDITINA.
São Bento e sua espiritualidade
“Houve um homem de vida venerável, Bento pela graça e pelo nome, que ainda muito jovem, retirando os pés que quase colocara no mundo desejando só a Deus agradar, abandonou bens da casa paterna, para viver vida monástica e buscar somente a Deus” (II livros dos Diálogos- São Gregório Magno eleito papa em 490 d.C.)
A vida monástica no ocidente está baseada na espiritualidade beneditina. Sua característica principal é a atração para o absoluto e para o eterno. Tal espiritualidade está centrada na Regra de São Bento, escrita por volta do ano 530. Desde que foi escrita tem sido praticada e vivida pelos filhos e filhas de São Bento ao longo dos séculos. O segredo da vitalidade da Regra de São Bento se dá pelo fato dela ser alicerçada na Sagrada Escritura, especialmente nos Evangelhos propondo um estilo de vida para aqueles que querem segui-lo de um modo mais intenso.
A busca de Deus
São Bento considera o ser humano em sua totalidade, para ele o monge (palavra que vem de monos que significa um) é aquele que é unificado para ser um com Deus. A espiritualidade beneditina pode ser compreendida pela busca plena de Deus, através da oração, do trabalho, do acolhimento dos hóspedes e do próximo, da vida comunitária e da paternidade espiritual. A experiência de Deus se dá na prática da existência, no modo de pensar e de agir: é no cotidiano que a vida monástica se desenvolve, a qualidade da oração está vinculada à qualidade da relação do monge consigo mesmo e com o próximo. O mosteiro beneditino e definido por São Bento como uma “escola de serviço do Senhor” (Regra de São Bento Prol. 45) nele o monge aprende a ouvir a Deus e a pôr em pratica a sua Palavra, tornando-se seu discípulo.
São Bento ensina aos seus filhos e filhas, desde o começo, que o caminho da vida beneditina se percorre amando a Cristo sem restrição, Ele é o centro vital para o qual tudo se direciona no mosteiro. Aqueles que se encontram no mosteiro: o irmão e a irmã, o hóspede, o abade e a abadessa, o pobre, o doente, o próximo trazem a presença viva de Cristo. Ele pede na sua Regra: “Nada antepor ao amor de Cristo” (Regra de São Bento 4,21). É em nossa vida de oração que manifestamos esse profundo amor pelo Cristo. De fato Cristo se encontra no próximo, porém, é na ação litúrgica que Ele se manifesta em sua plenitude: através da Liturgia vamos ao Cristo; e pela Liturgia Cristo vem a nós. Ao longo do Ano Litúrgico vive-se o Cristo e seus mistérios é em torno da Ação Litúrgica que se organiza interiormente a busca de Deus. A Eucaristia, por sua vez é o centro da vida litúrgica do mosteiro. Essa centralidade também está presente em nossa vida comunitária: “Nossa vivência sacramental é fonte inesgotável e insubstituível de força e alimento diário para a nossa alma” (Regra de Vida 104).
Nada antepor a Cristo
A oração é a maior obra do monge, São Bento lhes pede: “Nada antepor ao Ofício Divino” (Regra de São Bento 4, 55; 43,3). Seguindo a espiritualidade beneditina da santificação do tempo através da Liturgia das Horas nossa Regra de Vida 107 afirma que: “A Liturgia das Horas […] fará parte essencial da vida de oração dos membros consagrados e aliançados.[…] é o exercício e a realização mais elevada da missão perene confiada por Cristo à sua Igreja. […] estejam conscientes da responsabilidade de estarem contribuindo para a salvação de todo mundo por estarem realizando a missão da Igreja orante.”
Na oração pessoal (Regra de São Bento 19 -20) busca-se a intimidade com a Palavra de Deus, ela é feita na pureza do coração e na compunção das lágrimas (Regra de São Bento 20, 3). Torna-se, portanto, necessário aprender a escutar, a ouvir o que Deus quer nos dizer. São Bento nos ensina no Prólogo da sua Regra: “Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai”. Só quem sabe ouvir, sabe obedecer.

A espiritualidade de São Bento é a vivência cotidiana da humildade, do silêncio, da obediência, da oração, de modo especial na Liturgia das Horas e na Lectio Divina, da paz, da discrição, do trabalho, da pontualidade, da hospitalidade e do amor na vida fraterna e para com os pobres. São elementos que constituem o espírito beneditino que buscamos também vivenciá-lo em nossa vida comunitária.

Um comentário:

  1. Sempre é bom recordar.. Conhecemos e nem sempre lembramos de tudo!Obrigado por fazer-nos recordar! Paz e Bem!

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